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  • maio 26, 2018

    Moda consciente: Fast fashions e iniciativas sustentáveis

    A Renner, maior grupo de lojas de departamento brasileira, lançou essa semana uma nova linha de produtos – ou melhor, uma etiqueta com conceito – a REjeans. A proposta é bem legal: “em vez de descartadas, as sobras de tecido do processo de corte de novos jeans renner são reaproveitadas. Depois de desfibrado e transformado em novos fios, é feito um novo tecido que é readquirido novamente como matéria prima”. Trata-se de um processo de reciclagem pré consumo, que é quando a sobra de tecido têxtil (que não saiu da fábrica) é reaproveitado. Essa novidade me acendeu uma luz e alguns questionamentos.
    Moda consciente: Fast fashions e iniciativas sustentáveis
    imagem: @ohleighann
    Sustentabilidade, moda consciente, meio ambiente e futuro tem sido assuntos muito recorrentes na minha vida nos últimos meses. Depois que li a mágica da arrumação, fiz o armário cápsula e comecei de fato a consumir esse tipo de conteúdo, pensar mais nas minhas escolhas, refletir mais sobre tudo o que está envolvido nesses processos, minha relação com o comprar mudou completamente. Os valores que você adquire e a consciência que desenvolve com o ato de comprar roupas é algo surpreendente e traz consigo a motivação em buscar mais conhecimento, assistir documentários, ler livros, blogs e sites que façam você entender melhor e tentar melhorar essa visão e cultura que a gente tem em consumir e como usar e administrar o nosso dinheiro.

    A iniciativa parece ser interessante, segundo o blog de estilo da marca eles desenvolvem todo um trabalho social e sustentável na empresa, mas a gente tem que se perguntar até que ponto isso realmente palpável. As lojas de departamento produzem em uma escala absurda e desnecessária, voltada para a sociedade do consumo – com todo um histórico capitalista por trás, que vem desde a revolução industrial (e que pode ser assunto para um outro post, né?) –, mas a questão que fica é até que ponto as fast fashions conseguem monitorar a produção? Outra questão é porque a transparência, ainda que incompleta, é tão difícil e parece inalcançável para essas marcas? Pois se é possível lançar uma nova linha, ou um ideal, de produtos com etiqueta personalizada e com informações sobre o produto, porque não aderir essa ideia e colocar a informação detalhada do tecido em todos os produtos?

    Lógico que toda essa onda de conscientização, moda sustentável, cuidado com meio ambiente, reduzir produção de lixo e afins ainda (infelizmente) é uma novidade, uma tendência, nesse mundo fashion mas a preocupação é muito séria e envolve muitas coisas além do nosso dinheirinho suado, a loja e o bem durável (que, convenhamos, as vezes nem é tão durável assim não é?). A compreensão de que antes da brusinha ser brusinha tem todo um trabalho de produção do tecido, corte, costura, lavagem e tintura (que gastam absurdos litros de água), transporte e entre muitos outros processos, que para chegar nas lojas por R$49,90 é surreal. E aí a gente precisa pensar: onde, nessa cadeia de produção, está havendo desequilíbrio. As lojas funcionam para obter lucros, mas os funcionários estão recebendo adequadamente para suas funções? Por funcionários não me refiro apenas aos lojistas mas a todos os envolvidos e principalmente quem está na produção, que geralmente é quem sofre mais.
    Moda consciente: Fast fashions e iniciativas sustentáveis
    imagem @ohleighann
    Contudo, ações como esta mostram que está nascendo uma preocupação da marca com o meio ambiente e em atender uma nova demanda de consumidores preocupados com aquilo que estão comprando. Reciclar tecido é uma alternativa que gera menos impacto no meio ambiente, afinal gasta-se menos água, gera menos lixo e o tecido não vai para o aterro.

    Ainda que esta não seja a forma mais ideal de produção sustentável, ainda que a maioria da produção seja em larga escala e com matéria-prima misturada e outras razões mais, só o fato desses tecidos que seriam descartados ganharem uma nova funcionalidade e um tempo maior de usabilidade, já demonstram que estamos no caminho certo e que futuramente vai ser possível que a revolução da moda (e do consumo!) aconteça de verdade.

    Cabe a nós, consumidores, o papel de fiscalizar essas empresas. Analisar a conduta delas como um todo: relacionamento com cliente e colaboradores, os fornecedores, as campanhas, os lançamentos, o posicionamento e etc. De nada adianta um lançamento sensacional e uma conduta completamente contrária, como a gente tem sido bem recorrente a alguns grandes grupos.

    Lembrando que estas reflexões não são direcionadas a varejista Renner, viu gente? São apenas questionamentos relacionados a indústria da moda, que por acaso surgiram a partir do lançamento dessa nova linha de produtos da marca.

    2 comentários:

    1. Ei Re, adorei esse post!
      A ideia do REjeans é bem interessante mesmo, mas como você disse, é uma coleção assim em meio a tantas outras que desrespeitam tanto o meio ambiente e até mesmo pessoas né?
      Moda/consumo consciente são assuntos que me chamam muita atenção... adorei o post!
      Beijos!

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      Respostas
      1. oooi laura!
        sim, é uma iniciativa entre mil outras que não são assim... são assuntos muito complexos ainda para se discutir.
        obrigada, muito bom te ver aqui! ♥

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