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  • agosto 17, 2019

    Um Mês Depois

    Ontem fez um mês que voltei da minha vida de imigrante e tudo que consigo pensar é nessa inacabável vontade de mudança que habita em mim. Morar em outro país é algo extraordinário, me mudou de inúmeras e incríveis formas. É uma daquelas coisas que você não imagina que precisa e só percebe depois que vive. São outros ares, outras culturas, um idioma diferente – mesmo ainda se tratando do nosso bom português. É como acordar com uma vida totalmente diferente e inesperada, mesmo com todos os perrengues de estar só.

    imagem: scott webb
    Mas voltar pro mesmo lugar pode ser um pouco frustrante, principalmente quando não se tem uma ocupação, tipo um emprego, sabe? Voltei e continua tudo igual. A cidade, o clima, a paisagem, a casa, meus pais, a rotina. Voltei depois de morar seis meses na Europa e ainda não tenho emprego, não me formei na faculdade, meu quarto continua bagunçado e eu continuo querendo desesperadamente que alguma coisa mude.

    Continuo trancada dentro de casa fugindo de um ou outro afazer. Continuo fazendo enormes maratonas de séries e filmes na tentativa de distrair a mente, driblar a ansiedade e ocupar o tempo com alguma coisa que não seja procurar desesperadamente por alguma oportunidade de emprego que me dê uma renda. Continuo com o sentimento de não estar sendo útil por não estar sendo produtiva, por não estar realizando alguma atividade que traga retorno financeiro que preciso pra minimamente existir.

    E aí me vem aquele pensamento de que tudo era melhor lá fora ou de que tudo vai ser melhor quando finalmente eu me mudar pra São Paulo. Não sei de onde foi que tirei que me mudar pra São Paulo é a solução de todos os meus problemas. Quem inventou isso?

    Vejo a vitrine das pessoas que tem formação em áreas parecidas com a minha e que moram lá e fico pensando quando é que vai surgir uma oportunidade pra mim. E com isso, continuo mergulhando numa realidade paralela esperando a chance de viver uma vida que não é a minha – pelo menos não agora.

    Então tudo que fiz até hoje parece ser uma grande mentira. O sentimento catastrófico e destruidor de "eu sou uma farsa" começa a tomar conta de mim e não consigo pensar em outra coisa a não ser continuar deitada, olhando pra tela do computador, vendo mais um dia passar e fingindo que a solução está a alguns dias de bater na minha porta me chamando pra tomar um café e voltar a viver.

    Sigo esperando...

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